Implantação do projeto

Desde 1993, o grupo de Ciências Planetárias do Observatório Nacional vem desenvolvendo pesquisas sobre a caracterização física de pequenos corpos em colaboração com pesquisadores de diversas instituições no exterior. A equipe do ON é a única no Brasil a trabalhar com observações físicas de pequenos corpos do Sistema Solar e vem desempenhando um papel relevante no desenvolvimento da área de ciências planetárias no País.

A proposta do projeto IMPACTON foi formulada não só com o objetivo de consolidar os estudos sobre o tema, mas também, de modo pioneiro, montar uma infraestrutura física dedicada à observação remota de pequenos corpos no Sistema Solar. A criação desta infraestrutura incluiu escolha de sítio, obras civis, importação, transporte e instalação de equipamentos, disposição de facilidades de energia e transmissão de dados e implantação do sistema de operação remota. Trata-se, portanto, de um projeto complexo que envolveu em sua fase inicial um conjunto de parcerias e ações - cujos prazos muitas vezes fugiram à governabilidade da instituição científica - para a garantia de sustentabilidade do objeto de pesquisa.

O desenvolvimento do projeto pode ser resumidamente dividido em três fases: definição, implantação e operação. Na primeira fase foram especificados e adquiridos os instrumentos necessários e realizados visitas, gestões e estudos necessários para a escolha de sítio. Na segunda fase, foram estabelecidas as parcerias para a construção da infraestrutura física, gestão e segurança da área do projeto e para transporte e instalação dos instrumentos. Simultaneamente, foram planejados a implementação da automatização e os testes de operação e definidas as estratégias ótimas de observações para uma cooperação científica efetiva. A operação, iniciada em 2011, está dedicada aos programas de observação propostos, ao tempo em que também são avaliadas as condições de operação e buscada a melhoria e otimização da infraestrutura física.

O IMPACTON é potencialmente um projeto formador de pessoal científico e técnico. A operação plena do telescópio abre oportunidades de pesquisa e de desenvolvimento de instrumentação e de softwares.

Voltar ao topo

Os estudos para escolha do sitio de instalação do telescópio foram iniciados em 2006, atendendo aos principais requisitos técnicos:

  1. noites abertas e secas;
  2. baixa turbulência (baixo seeing);
  3. baixa luminosidade artificial;
  4. temperatura noturna não muito elevada;
  5. latitude mais ao Sul possível;
  6. posse do terreno.

Combinados os critérios técnicos com a possibilidade de parcerias institucionais locais, foi escolhido um terreno no município de Itacuruba, localizado no sertão de Pernambuco. A implantação do projeto contou com as colaborações da Prefeitura Municipal, do Governo do Estado de Pernambuco, da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, da Associação dos Agropecuaristas Lealdade de Santa Cruz, da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco (SECTEC) e do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), além do apoio da Representação Regional do MCTI no Nordeste.

A área, de 5,0 hectares, poderá receber ainda outras iniciativas de interesse científico do Observatório Nacional. Em setembro de 2008, a Coordenação de Geofísica (COGE/ON) concluiu os seguintes trabalhos no local:

  • instalação de uma estação gravimétrica, que passa a integrar a Rede Fundamental Brasileira do Observatório Nacional;
  • instalação de uma estação magnética com as medições de declinação magnética, inclinação magnética e intensidade total;
  • Determinações de azimutes geográfico com giroscópio;
  • Mapeamento georeferenciado da região com GPS e programas específicos;
  • Mapeamento georeferenciado da cidade de Itacuruba com GPS e programas específicos;
  • Varredura magnética na área do projeto com magnetometria;
  • Modelo digital do terreno;
  • Instalação de equipamento longo período (magnetotelurica), com registro de 20 dias consecutivos;
  • Perfis de magnetometria ao redor do sítio.

Voltar ao topo

(a) Telescópio

Em função dos objetivos científicos a serem alcançados, foi adquirido um telescópio com completa automação e espelho de 1 metro de diâmetro. Características:

  • Óptica: Lomo Sitall com cobertura de Al+SiO2
  • Montagem: Alto-azimutal
  • Precisão do apontamento: < 12" RMS para altitudes > 20°
  • Precisão de guiagem: < 0.6" RMS em 5 minutos
  • Razão focal primária: f/3
  • Razão focal: f/8 (sem corretor)
  • Razão focal: f/7.04 (com corretor)
(b) Cúpula

A cúpula de 7 m de diâmento e 5,5 m de altura foi adquirida segundo os critérios técnicos do projeto IMPACTON, ou seja: material com baixa condutividade térmica, boa resistência às intempéries atmosféricas, excelente impermeabilização e completa automação no apontamento e na abertura.


(c) Câmera CCD

Devido ao objetivo de operação totalmente remota do telescópio, foi adquirida uma câmara CCD Apogee, modelo Alta U47, com resfriamento termoelétrico (sistema Peltier). A câmera, acoplada a uma roda de filtros, permite observações dos objetos e posterior determinação de suas órbitas e das propriedades rotacionais e superficiais. Acoplada ao telescópio permite cobrir um campo no céu de 5.9 x 5.9 minutos de arco, com uma escala no plano focal de 0.343 "/pixel. As especificações técnicas básicas são:

  • sensor modelo e2v CCD74-10, back-illuminated;
  • tamanho do array: 1024 x 1024 pixels de 13 x 13 µm;
  • alta eficiência quântica na região do visível (QE @400nm = 55%; QE de Pico = 96%);
  • baixa corrente de escuro (típica: 0.4 e/p/s; a baixo resfriamento: 0.04 e/p/s)
  • ruído de leitura típico: 9 e-

Atualmente, o OASI opera também com uma câmera CCD Apogee de alta eficiência, modelo Alta U42, com tamanho 2048 x 2048 pixels e demais características similares à U47.

(d) Estação meteorológica

Equipamento fundamental para a operação remota do telescópio, monitora e transmite continuamente as condições de temperatura, umidade e cobertura de nuvens do local. As informações definem o início da operação remota do telescópio.

(e) Sistema de filtros

O telescópio tem acoplada uma roda de filtros, disponibilizando os filtros B, V, R do sistema de Johnson e os filtros u', g', r', i', z' do sistema SDSS.

(f) Câmera All-Sky

Construída no Observatório Nacional, a câmera all-sky instalada no OASI permite tomar imagens de todo o céu a um só tempo e monitorar as condições climáticas para as observações astronômicas.

Voltar ao topo

Como pressuposto para a instalação de um observatório astronômico, o sítio escolhido encontra-se distante dos centros urbanos, o que implicou em etapas prévias de provisão de infraestrutura básica. Realizada no período de janeiro/2008 a maio/2010, a construção do observatório envolveu elaboração do projeto básico de engenharia da base do telescópio e da casa de apoio, preparação do terreno, execução das obras, cercamento da área, projeto e instalação de energia elétrica e instalação de link de comunicação via internet.

A montagem dos instrumentos foi realizada nos meses de junho e julho de 2010, envolvendo a vinda dos técnicos australianos e alemães responsáveis pela fabricação da cúpula e do telescópio respectivamente. Em agosto de 2010 foi iniciada a montagem eletrônica do telescópio.

A fase de testes desenvolveu-se a seguir com a realização de calibrações, testes e adaptação de equipamentos e sistemas e dos programas de observação e automatização.

Voltar ao topo

As fontes de financiamento do projeto IMPACTON têm sido agências de fomento a pesquisa, federais e estaduais, além do próprio MCTI e instituições do Estado de PE. Os principais aportes em infraestrutura são listados a seguir:

  • Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) - Edital CT-INFRA 2005: recursos para compra do telescópio, que foram estendidos à construção da rede elétrica e aquisição de equipamentos acessórios - R$ 1.100 mil;
  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - Edital Universal nos anos 2006 e 2008: aquisição de câmera CCD, computadores, storage para armazenamento de dados e no-breaks - R$ 73 mil;
  • Subsecretaria das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCUP/MCTI): aquisição da cúpula astronômica - R$ 135 mil;
  • Governo do Estado de Pernambuco em convênio com a Prefeitura de Itacuruba: construção da base do telescópio e da casa de apoio - R$ 120 mil;
  • Observatório Nacional (ON): construção de muro perimetral - R$ 32 mil;
  • Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) - Termo de Cooperação para Descentralização de Crédito: componentes para atualização tecnológica da operação do OASI - R$ 104 mil;

As despesas de custeio são financiadas com recursos do Observatório Nacional e das agências de fomento científico listadas a seguir:

  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): através de Taxa de Bancada de Bolsa de Produtividade em Pesquisa;
  • Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisa do Estado de Rio de Janeiro (FAPERJ): programa Cientista do Nosso Estado nos anos 2006, 2008 e 2011;
  • Coordenação de Aperfeiçoamento para Pessoal de Nível Superior (CAPES): programa CAPES-UdelaR de cooperação com o Departamento de Astronomia da Universidad de la República, Uruguai;

A operação do OASI ainda conta com o apoio da Prefeitura de Itacuruba e da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECTEC) do Estado de Pernambuco, nos termos firmados nos respectivos Acordos de Cooperação.

Voltar ao topo